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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O gato mais mordaz da cidade

Aproveitando que ontem (22/02) foi o Dia do Gato no Japão, resolvi inaugurar a seção de literatura japonesa hoje.
Eu queria começar por um livro fininho (porque eu sei que vocês têm medo de livros compridos), mas não vai dar. Eu vou é começar pelo meu preferido, por algo que eu recomendo com carinho – e se eu gosto é porque também não é assim tão difícil de ler. Acho.

O livro de hoje se chama Eu sou um gato (吾輩は猫である Wagahai wa neko de aru), de Natsume Sôseki.
"As patas de um gato parecem não existir, pois por onde passam jamais emitem ruídos incômodos."
A história é baseada em uma premissa muito simples: o mundo sob o ponto de vista de um gato que não tem nome e nasceu em um beco escuro e úmido, mas que sabe que é melhor que eu, você, e todos nós juntos.

Depois de vaguear por alguns lugares e ser enxotado por aquilo que se chama de “criatura humana” (palavras do gato), ele chega na casa de um professor que decide deixá-lo ficar. E o gato decide ficar.
Daí em diante temos a análise constante – e ferina – do professor Kushami (“espirro”) e dos outros humanos que moram na casa ou passam por lá.

O professor Kushami é um sujeito de poucas palavras, com uma certa aura de sabedoria professoral, especialmente quando se tranca no gabinete para ler. Mas o gato tem uma visão privilegiada – e muito ócio sem culpa – para entrar sorrateiramente no cômodo e verificar que o professor lê duas ou três páginas dos compêndios de conhecimento para logo em seguida cair no sono e ainda babar em cima dos livros. Seu estilo de vida faz com que o gato oscile entre considerá-lo excêntrico ou medíocre - mas que tenha certeza quanto a caracterizá-lo como um tanto glutão e bastante neurastêmico.

É interessante notar que ao longo da história, ele vai percebendo no professor algumas características felinas, enquanto o próprio gato vai se identificando com os humanos, embora nunca perca o seu orgulho felino, a ponto de ele afirmar que "(...) em minha cauda carrego não apenas deuses, budas, Eros e Tanatos, mas também a técnica especial passada de geração em geração de enganar toda a humanidade". Tudo isso para se vangloriar daquela habilidade que os gatos têm de poderem se infiltrar nos lugares sem serem necessariamente notados.
Habilidade mais ou menos fatal para pombos gordos de cidade grande.
Pela visão crítica do gato, também acabamos conhecendo a família do professor, constituída pela esposa, por três filhas (Tonko, Sunko e Menko) e por uma empregada (Osan). Ele não é nada favorável na descrição delas, uma vez que, segundo o próprio relato, não só nenhuma demonstra um pingo de afeto pelo gato, como também elas o maltratam infinitamente.
Isso considerando que ele devia ser mais ou menos assim logo no início do livro.:(
Um personagem particularmente engraçado é o Meitei, o amigo pedante do professor, aquele que sempre sabe de tudo, sempre tem uma história de iluminação espiritual, além de conhecimentos ilimitados em nomes e citações de artistas, cientistas e personalidades - e muitas mentiras criadas para rir da cara dos crédulos (como o professor). Pelas palavras do gato: "o esteta era o tipo de homem cujo prazer era enganar as pessoas, descarregando sobre elas coisas sem pé nem cabeça". É o personagem mais sem noção do livro e não perde uma oportunidade de debochar dos outros.

Entre os amigos mais próximos do professor também tem o Kangetsu, um estudante de física, ex-aluno do professor Kushami, agora tentando alcançar o nível de doutor com uma tese sobre "a dinâmica do enforcamento". Ele é o pivô de uma das maiores intrigas na qual o professor Kushami se mete.
Intriga do tipo que envolve espionagem, difamação e guerra psicológica.
O Kangetsu vira objeto de desejo (?) de uma mocinha, Tomiko, filha do empresário Kaneda, que mora em uma mansão na mesma rua que o professor. A fim de saber que tipo de sujeito é o Kangetsu (e se ele é adequado para a sua filhinha), a senhora Kaneda faz o que é mais lógico: suborna a rua inteira para obter informações sobre o rapaz. Quando resolve dar o "carteiraço" no professor Kushami, ele não se impressiona, o que a deixa muito irritada. O professor e o Meitei até decidem liberar umas informações sobre o candidato a noivo, mas só na base da humilhação e das ironias que a senhora Kaneda não compreende nem gosta. O que importa para a mãe é que o Kangetsu vire doutor de uma vez, se ele pretende casar com a honorável patricinha Tomiko...

Só que a senhora Kaneda tem uma característica que chama muito a atenção do gato, do professor e do Meitei. Ela é nariguda (o nome da personagem é Hanako; hana = nariz). E embora eles só comentem o assunto longe da presença da madame, as paredes têm ouvidos.
E são de papel.
O que acontece é que a senhora Nariz sai da casa do professor muito ofendida por não ter tido um tratamento condizente com a sua condição social, e resolve travar uma pequena guerra psicológica com ele. Essa guerra inclui mandar vizinhos para espionarem e gritarem impropérios para o professor, entre outros. (Mas o professor Kushami e o Meitei também não deixam muito barato com uma excelente discussão reflexiva sobre narizes...)

Vale muito a pena acompanhar a vida do professor Kushami, e as interações dele com a família, os vizinhos fofoqueiros, os alunos mal-educados, e os amigos bizarros.

A graça do livro, na minha opinião, é justamente esse julgamento irônico feito por alguém que não possui restrição alguma, ou obrigação com a espécie humana. (E, nesse sentido, dá para comparar com a situação em Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado: um defunto que já não tem mais nenhuma daquelas restrições sociais então pode contar a história com o nível de crítica que lhe apraz.)
"O Gato-zumbi", uma história de desprezo por Sôseki de Assis.
Os capítulos do livro foram publicados um a um na revista literária Hototogisu ("Cuco"), então é possível sentir uma certa independência entre um capítulo e outro. A parte da intriga com a família Kaneda e o Kangetsu é que acaba se estendendo por mais de um capítulo, mas muitas das peripécias do gato e do professor ficam restritas a um capítulo só.

Dificuldades: a quantidade de citações a intelectuais/estetas/artistas/estadistas que você provavelmente não conhece e o contexto em que as citações aparecem. O tradutor fez o que pôde com as notas de rodapé, mas não dá pra disfarçar que as filosofias e os discursos do trio principal são coisas que fazem mais sentido para quem tem uma mínima bagagem acadêmica. Em alguns trechos a voz do gato nem aparece, pois o foco vai para os devaneios retóricos dos três amigos. (O que me lembra os momentos Quincas Borba dentro do "Memórias Póstumas...".)

O livro se divide entre as próprias experiências do gato e da família, as discussões do trio Kushami/Meitei/Kangetsu, a intriga com os Kaneda e os comentários ácidos do gato sobre tudo isso. As minhas partes preferidas são basicamente essas que o gato resolve comentar algum assunto humano, porque ele nunca nos perdoa.
Rezo todos os dias para que eles não consigam polegares opositores...
Dizem que o Sôseki se descreveu no personagem do professor - o que é interessante, porque a visão que nós temos desse alter-ego é externa. O Sôseki também é o gato. Teríamos aí um legítimo livro de autoajuda?:D

Aproveitando a deixa, na próxima postagem eu falo um pouquinho sobre o autor desse livro, Natsume Sôseki.

  

Eu sou um gato (吾輩は猫である Wagahai wa neko de aru) 
Estação Liberdade
Tradução de Jefferson José Teixeira
Do site da editora


(Para vocês que lêem japonês, achei ISTO durante a minha pesquisa, e agradeço enormemente se algum de vocês souber de uma fonte para ver alguma dessas adaptações.:3)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bloqueios literários e mimimis de quem quer se eximir da responsabilidade

Eu gosto de escrever resenhas. Afinal, quem não gosta de explicar para os outros sobre assuntos dos quais gosta (ou odeia), né?
Mas eu confesso que evitava fazer resenhas de livros porque, ãhn, não me sentia no direito de discutir literatura. Não me levem a mal: eu gosto de literatura. (Gosto tanto que fui cursar Letras.) No entanto, sempre tive a impressão de ser uma “parede” em discussões de literatura. Ou minha interpretação é óbvia demais, ou eu não entendo nada mesmo, ou a minha interpretação é estranha etc. Geralmente só com uma segunda leitura é que eu consigo depreender alguma coisa que preste do livro - e isso me deixa meio angustiada. Eu sinto que deveria ter uma capacidade mais ampla (e eficiente) de compreensão, uma bagagem literária maior, ou até, sei lá, ser mais articulada para me explicar.

Também muito me aborrece que o pessoal mais fanático da literatura decide que você só é completo depois de ler o cânone deles e de desistir de leitura porcaria*. E eu gosto de leitura porcaria!
(*Literatura porcaria: best-sellers, literatura policial, romances de banca, ficção científica...)
Apesar de que isso foi um pouco além do conceito até pra mim, a rainha da tolerância literária (not).
Fora o fato de eu ter um ritmo de leitura bem lento e de ter muito mais coisa na pilha de espera do que propriamente na pilha de “lidos”. Mas acho que isso é até normal para nós que gostamos de ler.
Talvez eu tenha essa resistência para falar sobre literatura porque falar sobre literatura é se posicionar, mostrar aos outros as suas observações irrelevantes (e ignorâncias) e sair um pouco da zona de conforto. E aprender a não tratar por Otto Maria Carpeux quem te trata como o crítico literário do Diário Gaúcho.
Internas.
O que dizer então de literatura japonesa? Eu só fui ler alguma coisa de literatura japonesa na universidade, porque algum dia a gente tem que criar vergonha na cara, né?
Meu primeiro livro foi A Casa das Belas Adormecidas (眠れる美女 Nemureru bijo), de Yasunari Kawabata – sobre o qual lembro de ter lido uma resenha (me preparo para uma enxurrada de mimimis de ensino superior) na Veja. Mas isso é outra história.
Ao longo da vida acadêmica, fui lendo mais coisas; coisas excelentes, coisas mais ou menos. Só que fora do mundinho da universidade – e mesmo no mundinho da universidade – percebi que poucas pessoas conheciam algo de literatura japonesa. E também não há tão pouca coisa assim publicada aqui no Brasil. (É pouco; mas tem, sim, o que ler!)
Exceto pr'as professoras e colegas que acham que a gente é maluco
por insinuar que existe literatura fora da Europa e da América.

Talvez seja porque a leitura - como um todo - não é um hábito muito difundido aqui no nosso querido país. Talvez por n outros motivos. Mas talvez porque vocês realmente nunca ouviram falar em autores e obras e tudo mais.
Ou talvez porque um vórtice tenha te sugado para uma realidade em que não existe Japão.
Então eu decidi que, já que eu não posso consertar a falta do hábito de leitura - ou qualquer outra coisa sobre a qual eu não tenha controle -, pelo menos vou tentar contribuir para a divulgação do que existe por aí - e que eu conheço.

Estou estudando a criação de um blog (“outro, meodeosdocéu!”) só para isso – um com um título mais SafeForWork, para você não ficar tachado na empresa como “aquele cara que é chegado em sado-masô”.
Por enquanto, fico por aqui. Até porque pornografia atrai visualizações de página, e vai que eu consiga converter alguns tarados em leitores de literatura japonesa? Tanizaki agradece.

O nome dessa nova seção será:
A bem dizer, eu já tenho minha primeira resenha praticamente pronta, e ia colocá-la nessa primeira postagem. MAS! Postagens longas cansam, eu sou prolixa, e tenho que aprender a dividir melhor o conteúdo dos textos. 
E aquele livro... merece mais do que ser uma sub-seção de outro texto. :)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Jogos para donzelas, Shinsengumi e uma resenha

Essa semana, depois de me aventurar a arrumar minhas coleções de mangás, relembrei todo o meu amor por Rurouni Kenshin (ou Samurai X, mas eu sou hipster e uso o nome original). Relê-lo agora que atualizei meus conhecimentos pífios em História japonesa me dá uma outra visão dos fatos.
Sempre tive adoração por aquela seção do mangá em que o Nobuhiro Watsuki fazia um comentário sobre a criação dos personagens, e voltando nelas agora, notei a quantidade de personagens que ele baseou em membros da Shinsengumi – porque não basta colocar os personagens per se.

Senta que lá vem História!
Shinsengumi (新選組 ou 新撰組) , algo como “tropas recém selecionadas”, era um grupo de guerreiros sem mestre que atuava do lado do xogunato, “mantendo a paz” em Quioto. Durante pleno bakumatsu, também conhecido como fim do xogunato (período antes de 1868) – uma época conturbadíssima na História japonesa, que marca o fim de um Japão feudal e o início da modernização e da abertura de portos do país. Eles eram reconhecidos pelo haori (uma espécie de "casaco") azul-claro com montanhas brancas nas mangas, que era considerado um tanto... hmmm, chamativo - cinza e preto sempre foram tendência, olha só.

(Ai, quando eu ‘tava no Ensino Médio fiz um resumo geralzão sobre História japonesa. Leiam lá e não me decepcionem. Um, dois, três e quatro.)

Claro, aquele “mantendo a paz” entre aspas não é por acaso. De um lado, você tinha o Senhor Generalíssimo-sama, o xogum, que mandava e desmandava em todos os outros senhores feudais. E era do lado desse cara que a Shinsengumi estava. 
Do outro lado, você tinha: população revoltada com impostos + senhores feudais oprimidos pelo sistema de xogunato + sentimento de “o xogum não deixa o nosso Imperador mandar em tudo como deve ser”. Não podia dar muito certo. Então, spoiler histórico: a Shinsengumi estava do lado perdedor.

E eles eram mais ou menos assim, só que sem posar para fotos.
Sendo assim, é curioso a quantidade de mitos e histórias que foram criados em torno dessa milícia – que, diga-se de passagem, não era lá muito popular entre os cidadãos de Quioto de sua época. Mesmo o Nobuhiro Watsuki vivia, nas seções de “conversa com o leitor” em Rurouni Kenshin, pedindo desculpas por mudar isso ou aquilo das personagens históricas, ou implorando pra que os leitores não fizessem flamewars acerca das preferências políticas, pra vocês verem, ainda da época do bakumatsu. (Se bem que as piores guerras de impropérios surgem dos assuntos mais absurdos...)

Aliás, sempre achei muito interessante como o mundo editorial japonês transforma até História e personagens históricos em personagens fictícios (bizarros) sem muito escândalo. Seria como – eu pensando em equivalências toscas – se alguém escrevesse um livro em que o personagem principal fosse D. Pedro I, mas como um vampiro bon-vivant que pode saltar entre as eras e, a propósito, em algum ponto ele consegue um Gundam para derrotar as forças portuguesas do mal.

Esse cavalo na verdade é feito de Gundamnium. Por isso que as crianças estão fugindo.
Então... sobre a Shinsengumi foram feitos INÚMEROS jogos, mangás, novelas, filmes, livros,  etc. Em algumas mídias, eles são os personagens principais; em outras, não. Mas eles se fazem presentes mesmo na influência sobre outros personagens - o caso do autor de Rurouni Kenshin sendo o mais conhecido por mim.:D
Já foram dados diversos enfoques também: no talento da milícia em batalhas, nas relações entre os guerreiros (o que me lembra "Tabu", filme que enfoca a questão da homossexualidade), nas relações entre os guerreiros e o mundo de fora da Shinsengumi etc.

Bom, mas como eu cheguei nisso mesmo? Ah, sim. Depois de Rurouni Kenshin, fui pesquisar um pouco sobre a Shinsengumi. Foi assim que achei um otome game chamado Hakuôki: Shinsengumi Kitan nos relacionados .

Para os não iniciados, otome game é o tal do “jogo para donzelas”. É um tipo de jogo em que você começa a aventura entre um grupo de rapazes (com personalidades bem distintas e bem tipificadas), em uma dada situação – que pode envolver cotidiano, vida escolar, vampiros, passado, futuro ou tudo isso ao mesmo tempo (;D). 
Depois de escolher o seu predileto (o príncipe, o esportista, o nerd, o fofinho, o anti-herói, etc.), ao longo do jogo você vai selecionando opções de respostas em menus para ir melhorando seu relacionamento como ele. Até que no fim do jogo você fica com o seu predileto, yay! Ou algo assim. É basicamente um jogo de massagem no ego, em que os personagens masculinos são bonitões, interessantes, e a tratam como uma princesa desde o início (ou não, se você gosta de rapazes “fazidos”). Por exemplo:

"Pelo amor desse jogo, escolha uma opção com contato físico, Ohime-sama."
Opções: 1) Vamos jogar xadrez. 2) Vamos observar as cerejeiras em flor. 3) Vamos fazer algo quente!
 E dependendo das suas opções, da situação e do personagem escolhido, você pode acabar em uma cena como esta:
Jackpot.
Ou como esta:
"Suas habilidades no xadrez me impressionam, Ohime-sama!"
Os chamados “simuladores de namoro” são jogos bem populares entre otakus japoneses, inclusive entre os homens. Nem sempre esses jogos incluem sexo, mas quando incluem são chamados de eroge (abreviação de “erotic game”).
Eles podem ter uma história “original” (que normalmente não é nem um pouco original), ou ser baseados em mangás/animes. 
Por exemplo, o único jogo do gênero que eu já joguei até o fim foi um Love Hina para o console Gameboy Advance. Nesse caso, o jogo permite que você subverta as regras do mangá, e, em vez da chata da Narusegawa, o Keitarô termine ficando com a Mitsune, a Motoko ou qualquer personagem mais interessante que a Naru.:P

Naturalmente, todos os otome game têm um personagem masculino principal, mas você é livre para escolher entre o mundo de homens que aparece na sua jornada. O harém é seu. :D
Mas, em resumo, até a Shinsengumi já virou tema principal de jogo de donzelas. (O chonmage, aquele penteadinho desgraçadamente feio dos guerreiros, é que não teve muita popularidade entre os character designers... Nem entre as otome. Pergunto-me por quê.)

Foi o que comecei a jogar anteontem, o tal do Hakuôki: Shinsengumi Kitan. E em japonês, o que muito me frustra porque não dá pra avançar praticamente nada em um jogo desse tipo sem ter vocabulário – e, no caso, vocabulário “de época”.
Daí, impaciente como eu sou, resolvi ver o anime que criaram baseado nesse jogo.

Hakuôki, uma resenha.
Tudo isso posto, resolvi fazer uma resenha.

Um resumo sem spoilers: Chizuru Yukimura vai para Quioto em busca de seu pai, um médico que sumiu em meio à confusão do fim do xogunato quando resolveu ir até a capital. Anoitece, e Chizuru (que aparentemente não sabe que depois de certo horário as coisas ficam meio tensas) acaba sendo perseguida por alguns samurai sem mestre arruaceiros que se interessam pela espada curta que ela carrega. Uma fugidinha daqui, outra dali, enquanto a mocinha acha um esconderijo precário, os seus perseguidores são atacados por guerreiros da Shinsengumi que estão aparentemente fora de si (= olhos vermelhos, cabelos brancos e risadinhas estridentes – “coelhinho da páscoa mode on”) atrás de sangue e de entranhas espalhadas pelo chão. Os guerreiros malucos, por sua vez, são eliminados por outros membros da mesma Shinsengumi, esses sim normais e, claro, lindos. Eles dão de cara com a menina aterrorizada pela carnificina e, como ela viu algo que não devia ter sido visto, eles decidem levá-la como prisioneira – até porque a coitada da Chizuru desmaia como toda boa mocinha indefesa.
Ela acorda no quartel-general da Shinsengumi, conhece todos os membros, conta que está à procura do pai e que não pode morrer antes de achá-lo, porque se não isso não é um otome game! Tcharam. Eles a deixam viver porque aparentemente também estão procurando o pai dela, um médico que desenvolveu algum tipo de remédio que cura e potencializa a força de quem o toma, mas tem efeitos colaterais terríveis. E o resto é spoiler. Se você ainda quer ver e acha que pode ter algo imprevisível na história, SAIA JÁ DESSE TEXTO!
 
Se não... Pode te aprochegar por aí, vivente, que ainda tem muito mate pra... matear. (/gauchismofail)

Várias coisas me fizeram ver esse anime: os homens bonitos; a questão da Shinsengumi e dos fatos históricos; a parte de fantasia; o harém inverso (8D); a parte do sangue; a parte do romance; a tensão gender bender inicial (sim, porque se eu fiz uma resenha sobre, significa que tem gender bender em algum lugar). As ferramentas estavam ali, mas é claro que a montagem nunca é boa o suficiente... 

A protagonista, Chizuru, é um pequeno pé no saco. Começando pelo primeiro spoiler, a mocinha tem sangue de oni (demônio, ogro, entidade fantástica japonesa), então ela tem aquela capacidade Wolverínica de se regenerar com uma rapidez impressionante. Ela também carrega aquela espada curta que, até onde nos disseram, é “herança do clã dos demônios do leste” e, portanto, tem um poder considerável. Mas ela é uma mocinha tradicional: fraca, inútil, que só grita e desmaia.
Apesar de estar ligada a toda essa questão de, hmm, saúde (filha de um médico, consegue se regerar...), ela é incapaz de oferecer apoio médico satisfatório para os membros da Shinsengumi (o que é uma burrice, porque a quantidade de fanservice possível seria insanamente maior se eles arrumassem isso...8D). Porque não, eles já tem um médico que cuida de tudo.
Além disso, a Chizuru tem uma espada foderosa, mas – sem brincadeira nenhuma – toda a santa vez que ela vai sacar a dita-cuja, aparece algum dos lindos homens da milícia e luta por ela. E apesar do fato de começar a viver entre a milícia e até PATRULHAR as ruas com eles, em momento algum a Chizuru faz o favor de treinar qualquer coisa que seja com aquela espada. Não. Ela varre o chão o episódio inteiro. D:
Mas não é só isso! Quando algum dos homens da Shinsengumi entra em batalha, ela corre atrás para quê? Para ficar gritando, distraindo os caras e atrapalhando a luta de forma geral. Em resumo, muita gente acaba morrendo para defendê-la. (Claro, é tudo desculpa do jogo/anime, porque historicamente falando eles morreriam da mesma forma.)

Nem o Saitou aguenta mais essa ladainha.
O grande spoiler é que o remédio que o pai da protagonista criou para o pessoal da Shinsengumi transforma os seus usuários permanentemente em Rasetsu, seres que são basicamente vampiros. Então, pouco a pouco, a Shinsengumi inteira vai virando uma tropa de vampiros.

Na sequência, acabamos conhecendo os vilões de verdade na história, que também são demônios. E eles, claro, estão atrás da Chizuru a fim de... hihihi... Ok, esse spoiler nem eu sou capaz de dar. Na verdade, o vilão principal, o Kazama, é o personagem que fala as coisas mais sãs de todos os episódios em relação à Chizuru.

Tipo isso.
A Naru Narusegawa dessa história, o bonitão principal, é o vice-comandante Toshizou Hijikata, baseado em uma personagem real, capitão da Shinsengumi - originalmente tido como um homem rígido e sério, que fazia papel de "mãe" porque o comandante Isami Kondou não tinha pulso firme com os subordinados. É ele quem propõe que eles deixem a moça viver ali. Ele é o típico personagem “príncipe atormentado”, que parece que não liga para a mocinha, mas se declara nos momentos cruciais. Na verdade, nessa primeira temporada (o anime tem 2 temporadas e mais uns episódios especiais de encheção) praticamente nada aconteceu. Não para os meus parâmetros. Não parece que ele finge que não se importa. Ele parece realmente não se importar. Mas eu também tenho problemas com protagonistas – os secundários e os vilões sempre parecem mais interessantes.

"Vou aprisioná-la e tratá-la com indiferença. E você vai me amar de qualquer jeito porque eu sou o protagonista."
O que me lembra do Hajime Saitou. Parece que os japoneses têm uma imagem bem consolidada da personagem histórica, e isso acaba refletindo na ficção. Vocês se lembram do Saitou em Rurouni Kenshin? Ele era cruel, frio, o típico cara que parece que está contra você, mas que acaba salvando o time em momentos-chave (Ikki? Magus?).  Desde a época de RK acho ele um personagem muito bem desenvolvido e muito interessante por si só. Parece que a figura histórica Hajime Saitou era um homem de poucas palavras, misterioso, sem muita paciência pra mimimi – e feio (D:). E ele foi um dos membros que sobreviveu. Mas o mais curioso é que até os diferentes designs do personagem são relacionados de certa forma.

Céus, até o tom de azul do cabelo já está consolidado!
Outro membro da Shinsengumi que sempre me despertou uma certa curiosidade foi o tal do Souji Okita. Na verdade, de novo, devo isso ao Nobuhiro Watsuki, que baseou o Soujirou Seta, um dos meus personagens favoritos, vilão da fase do Shishio, nessa personagem histórica. Souji Okita era um prodígio como guerreiro; antes dos 18 anos ele já havia mestrado e desenvolvido técnicas avançadas de espada. As representações midiáticas tendem a mostrar o Souji como um garoto (ele realmente era um dos mais jovens entre os membros da milícia) talentoso, calmo, gentil, “puro”, quase “feminino”. Em Hakuouki, ele é aquele personagem meio malandro, que ri de tudo, o que foge um pouco das representações da personagem histórica. Souji Okita morreu jovem, aos 25 anos, mas não foi “de batalha”; ele contraiu tuberculose.

Not pictured: tuberculosis.
Enfim, acho que o que atrai tanta atenção sobre a Shinsengumi é o fato de ela ter sido composta por personalidades, por guerreiros inegavelmente talentosos e interessantes. E com personalidades distintas o suficiente para fazerem parte de um otome game como tipos.:D

Vi todos os 12 episódios em uma única madrugada porque a expectativa que a série criou em mim foi enorme – mas acabou sendo perdida no meio do caminho. Há uma tentativa de equilibrar as temáticas, mas eu sinto que isso torna tudo mais morno: a rigor, essa não é uma série sobre História, mas dá pra sentir a preocupação meio exagerada em situar os conflitos e as batalhas do bakumatsu, por exemplo, enquanto a parte de ficção e de fantasia fica relegada a um plano secundário.

Parece que faltam boas lutas, faltam boas cenas de romance, faltam boas cenas de humor e falta desenvolvimento na questão dos demônios.  A série é, como eu já disse, morna – e eu me pergunto porque criei tanta expectativa em cima de um otome game, no qual as situações são indefinidas por natureza, já que é a jogadora quem escolhe o final...
E por mais que eu ache interessante todos os conhecimentos sobre o bakumatsu, é muito difícil dissociar o que é liberdade artística e o que é História, motivo pelo qual acho que seria interessante se a questão histórica fosse chutada pra escanteio e a questão fictícia tomasse conta.

Senhoras e senhores: a verdade.
 Não digo que Hakuôki não valha a pena. Tem que haver uma explicação para eu estar me torturando com a segunda temporada, esperando o momento em que a Chizuru vai sacar aquela espada maldita, entrar em modo berserk e retalhar todos os inimigos, ou o momento em que o Hijikata vai tomar alguma atitude romântica mais... mmm, ativa em relação a ela. O anime tem o seu valor e até, vejam só, uma precisão histórica. Mas não é primordial. Vejam se vocês tiverem tempo. Ou se estiverem em busca de fanservice para meninas.

(Spoiler: Na segunda temporada, a moral é que os personagens vestem roupas ocidentais. E o Hijikata corta o cabelo e se torna igual ao Sebastian de Kuroshitsuji. E não fui só eu que percebi.)


Mas meu interesse em Shinsengumi perdura, e com todas as pesquisas feitas, fiquei com vontade de ver Peacemaker Kurogane, Kaze Hikaru e o dorama de época Shinsengumi! (estrelado por ninguém menos que o Katori “Shingo Mama”!).


Este cara.

domingo, 15 de maio de 2011

Pokémon em Tradução II

Esta sou eu atrasando postagens no meu próprio blog, mas vamos lá...
Na postagem anterior falei sobre os pokémons com nomes onomatopéicos; nesta, vou falar daqueles com nomes que fazem referência a personalidades. E dos humanos também!

Na primeira leva, temos os pokémons psíquicos Abra (#063), Kadabra (#064) e Alakazam (#065). Em japonês: Casey (ケーシィ Keeshii), Yungerer (ユンゲラー Yungeraa) e Foodin (フーディン Fuudin). Acho que fica claro que esse estranho padrão de nomes não é baseado em onomatopéias. 
O Casey faz referência a Edgar Cayce, um médium/psíquico (acabo de me dar conta de como as traduções de psychic são pouco explicativas no português...:P) americano. 

Edgar Cayce, eu escolho VOCÊ!
Yungerer vem de Uri Geller, místico israelense daquela escola de “místicos” (ou mágicos/ilusionistas, dependendo do seu ponto de vista) que gosta de dobrar colheres com a força do pensamento. 

Kadabra: uma mistura de Uri Geller e homem do Rá!
E o Foodin? Esse é o melhor: o nome dele foi baseado no do ilusionista Harry Houdini, transcrito em japonês como ハリー・フーディーニ (Harii Fuudiini). Eu explico como “HOU” virou “FUU”: em japonês, esta letrinha representa um som que pode ser transcrito como FU ou como HU – mas, na verdade, não é nenhum deles, e sim um intermediário, [ɸɯ] pelo Alfabeto Fonético Internacional (IPA). 

Houdini usou Escape. Foi superefetivo!
 Em inglês, os tradutores optaram pela referência mais óbvia a palavras místicas do que a nomes de mágicos. Eu gostei da tradução, mas particularmente acho que os nomes em japonês tem um aspecto que desperta mais a curiosidade. E essa escolha até se assemelha à das nomenclaturas científicas de espécies, em que você vê cientistas ou celebridades tendo seus nomes em insetos, plantas, etc.: John Cleese foi homenageado em um lêmur (Avahi cleesei), Angelina Jolie, em uma aranha (Aptostichus angelinajolieae) e FUCKING Darth Vader (!!!), em um besouro (Agathidium vaderi). 
Mas sou bem suspeita em ter essa opinião; não entendi as referências de primeira e tive que pesquisar, o que me trouxe algumas epifanias felizes. Fico imaginando se os próprios japoneses fazem idéia desses trocadilhos superinteressantes...:D

O esquema de referências a personalidades não pára por aí! E ele se mantém em inglês com o Hitmonchan (#107) e o Hitmonlee (#106), os pokémons lutadores. Se você não captou a referência aqui: Jackie Chan e Bruce Lee. Acontece que em japonês os pokémons se chamam, respectivamente, Ebiwalar (エビワラー Ebiwaraa) e Sawamular (サワムラー Sawamuraa), a partir de Hiroyuki Ebihara (海老原 博幸), boxeador japonês, e do kickboxer Tadashi Sawamura (沢村)

Acima retratados de modo pitoresco: Hitmonchan e Hitmonlee, em boa forma e sem vigorexia.
Os nomes dos personagens humanos também foram traduzidos. Como eu já falei, tenho alguns problemas com a tradução de nomes próprios, mas... tenho que reconhecer que houve um certo esforço dos tradutores nesse quesito, apesar de não aprovar algumas coisas.

A Equipe Rocket é composta, na versão em inglês, por Jessie e James, nomes tirados do famoso criminoso e pistoleiro norte-americano Jesse James (1847-1882). Em japonês, a referência não é bem a criminosos, mas certamente a figuras bem ilustres... 
Jessie é Musashi, de Musashi Miyamoto (宮本武蔵, 1584-1645), célebre samurai, espadachim famosíssimo por sua técnica particular com duas espadas e por suas filosofias e reflexões acerca da vida, de estratégias de batalha, etc. 
James é Kojirô, de Kojirô Sasaki (佐々木小次郎,  1585?-1612), poderoso espadachim, famoso por... ter morrido em uma batalha contra Musashi. :D

Jesse James, a equipe de um homem só. (Sim, essa foi apenas uma desculpa para colocar uma imagem bonita aqui.)
Pois bem, da equipe humana da primeira temporada de Pokémon, temos Ash Ketchum, que na versão original é o Satoshi. Em quem ele teve seu nome baseado? No próprio criador da série, Satoshi Tajiri, que era fascinado por colecionar insetos quando criança – dizem as más línguas que agora ele coleciona Pokémons. 
O arquiinimigo do Ash, o Gary (ou Putinho, se você não queria usar o nome padrão do jogo), na verdade se chama Shigeru na versão japonesa. Baseado em ninguém mais ninguém menos que... Shigeru Miyamoto, ídolo e sensei do Satoshi Tajiri, mais conhecido por ser o FUCKING CRIADOR DE MARIO, DONKEY KONG, ZELDA, ENTRE OUTROS. PORRA. E segundo o próprio Tajiri, o Ash nunca vai superar o Gary. Porque o Gary é o Shigeru. E porque o Shigeru é o cara

Shigeru Miyamoto fazendo o que ele faz melhor, você sabe: being awesome.
Ok, parando com o momento fangirl histérica, me resta falar da Misty e do Brock. A verdade é que não há muito o que falar da Misty, ou Kasumi; “kasumi” em japonês é névoa, então nesse caso a tradução se aproximou um bocado. Já o Brock, ou Takeshi, tem um nome um tanto comum em japonês, e o fato de todos os nomes de personagens serem escritos com as letrinhas do alfabeto fonético, katakana, não me ajuda muito quanto aos significados. Existe uma infinidade de ideogramas que podem ser lidos, em nomes próprios, como “Takeshi”, e muitos se relacionam a coragem, alta estatura, bravura, etc. Aliás, o Brock era um dos meus protagonistas preferidos!:D

Imagem necessária.xD
Ah, por fim, o Professor Carvalho ou Professor Oak – nas minhas pesquisas, descobri que ele tem um primeiro nome e esse nome é Samuel (o.O). Na versão original, Yukinari Ookido (オーキド・ユキナリ); “yukinari” é abrupto, repentino; “ookido” é de orquídea, provavelmente. Seria esse um erro de tradução? Afinal a sonoridade de “ooku” (carvalho) e “ookida” (orquídea) carrega algo de semelhante... 
Eu pessoalmente acho que não é um erro, mas uma adaptação. O valor semântico é aparentemente maior em carvalho, uma árvore, do que em orquídea, uma flor. Um carvalho dá uma idéia de força, robustez e, por que não dizer, virilidade – e, afinal, não estamos esperando que esse jogo cative um público majoritariamente masculino? Seria bem difícil convencer uma audiência ocidental da virilidade de uma flor – por mais que “orquídea” venha do grego órkhis, que significa testículo.

Acima: uma árvore muito macho. Pega no meu carvalho.
E aí? Professor Carvalho ou Professor Orquídea?

Essa figura contém uma mensagem subliminar que logo será apontada por padres e pastores.
(Como diz um amigo meu, sob certa perspectiva, um buquê de flores é um belo ramalhete de órgãos sexuais decepados. Durmam com essa agora!)

Isso é até onde vão meus conhecimento pokemonísticos.
Ah, nostalgia, nostalgia... e vontade de jogar!:)
Jaa~!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pokémon em Tradução I

É, no mínimo, interessante - como tradutora/estudante de tradução - notar que quando um produto envolve o público infantil, os tradutores decidem versar o nome de certos personagens. Harry Potter é um exemplo clássico. Eu tenho que admitir que, como leitora, ODEIO essa prática. Claro, tem o mérito de tentar trazer para a nossa língua um trocadilho infame e oferecer uma informação interessante sobre aquele personagem. Mas não deixa de ser uma simplificação da sonoridade – e, às vezes, a sonoridade é mais interessante que o significado. 

Bom, mas sem entrar em uma discussão mais feroz sobre escolhas tradutórias, o fato é que os produtos infantis/infanto-juvenis são cheios dessas adaptações de nomes. Para quem assistiu a animação da Disney Enrolados (Tangled) na versão dublada em português, o personagem originalmente nomeado de Eugene Fitzherbert virou José Bezerra. Eu me pergunto qual foi o critério usado para definir o nome... Será que foi o Gerador da Improbabilidade Infinita do Guia do Mochileiro das Galáxias? Ou será que só eu não consigo enxergar uma correlação semântica/fonética/referencial entre um nome e outro? 
Pois bem.

O Pascal não aprovou essas mudanças de nomes.

 Acho que uma das maiores surpresas da minha vida foi a descoberta de que os nomes dos pokémons em japonês eram diferentes da versão que víamos no Brasil (tanto nos jogos como na televisão). Descobri isso por uma das várias versões de PokéRap que tem por aí, a versão em japonês do Pizzicato Five. 
Ah! Atenção: quando falo em pokémons, refiro-me à primeira e à segunda leva, porque foi até onde eu fui da série e dos jogos.

O rato elétrico que provocou epilepsia em algumas crianças japonesas, Pikachû, teve seu nome mantido. Pelo menos graficamente. Originalmente, a pronúncia é mais ou menos como PikaTCHÛ, não Pika, como ele ficou popular por aqui. Tanto faz. O interessante é notar que o nome deriva de duas onomatopéias: pikapika, onomatopéia de coisas brilhantes/reluzentes; e chû, o som feito pelos ratinhos. 

Vários pokémons seguem essa regra da onomatopéia. Aliás, japoneses adoram onomatopéias, até para coisas que não fazem som, como... o silêncio (!!!). (A “onomatopéia” de silêncio é shiin, antes que me perguntem...)

Outro exemplo é um dos meus preferidos: o Vulpix, e sua evolução, Ninetales. Em japonês, Vulpix é originalmente Rokonro de “seis” (referência ao número de caudas) e kon de “konkon”, o som que as raposas fazem. O Ninetales é Kyukon, sendo o kyu de “nove”.

O mesmo acontece com o célebre Miau ou Meowth ou Nyaasu, o pokemon da Equipe Rocket. No Japão, os gatos fazem nyaa. A tradução, nesse caso, seguiu a mesma lógica em todas as línguas.

Também os pokémons Grimer e Muk, aqueles melequentos, no original são Betobetaa e Betobeton, respectivamente - betabeta é a “onomatopéia” de coisas grudentas e pegajosas.

Mas não só de onomatopéias vivem os nomes desses bichos! Vou continuar esse assunto na próxima postagem, até porque os nomes dos personagens de Pokémon dão muita história...
Até a próxima!o/

Vou continuar na próxima postagem também porque um Snorlax selvagem apareceu pra bloquear minha mente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

(A Minha) Introdução à J-Music

Hoje quando você entra em um fórum de discussões sobre J-music e diz que gosta de, por exemplo, Asian Kung-Fu Generation, é praticamente crucificado (além de acusado de n00b, newbie, novato) pelos idiotakus. A idéia que esses sabichões normalmente têm é a de que, para ser fã de verdade, você tem que conhecer até os mais obscuros nichos da indústria fonográfica nipônica. Músicas e bandas popularizadas por anime são lugar-comum. Não que isso seja mentira, mas o que eles esquecem é que elas são o começo... Vou contar minha trajetória de fã de músicas japonesas.

Em meados de mil novecentos e noventa e tô ficando velha, a minha geração assistia ao florescimento da indústria de animes e tokusatsus no Brasil: Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Dragon Ball, entre outros. Esse foi o início (confesso que pouco expressivo, no entanto) da minha paixão pela cultura japonesa.
Na época, não tínhamos Internet (nem computador!) em casa, então normalmente o que sabíamos sobre as séries provinha de revistas de qualidade duvidosa com informações nem sempre atualizadas sobre o assunto.

Anos mais tarde, no início do novo milênio, veio o computador (primeiro sem Internet, depois com a discada, eu lembro!), mas aí as séries já eram outras: a mais adorada por mim era Card Captor Sakura. Foi com essa da Clamp - depois de muitos pop-ups, caídas de linha, longas esperas por fins-de-semana e feriados, links quebrados - que conheci o verdadeiro poder disseminador da Internet. Eu, com meus 10, 11 anos, fiquei estupefata ao escutar pela primeira vez uma música em Japonês ("Catch You Catch Me", o tema de abertura) e notar, ao acompanhar a letra (em roomaji, óbvio), que a língua tinha um "quê" de familiaridade e simplicidade. A globalização me atingiu em cheio e, nesse caso, me apaixonou.
A partir daí, toda trilha de anime que me encantava de alguma forma, eu procurava nos meus meios rudimentares e baixava. Obviamente, até novas ferramentas de disseminação surgirem (os peer-to-peer, torrents, sites de hospedagem de arquivos, Orkuts da vida) minhas séries evoluíram de novo.

Quando eu já tinha um domínio minimamente decente dos meios de downloads, descobri, em uma madrugada do Cartoon Network, Samurai X (Rurouni Kenshin). Claro, me apaixonei pela história e por quase todos os personagens masculinos gostáveis do "elenco", mas tenho que confessar que foi quando o primeiro episódio chegou ao fim que tive o meu momento de nirvana.

O primeiro encerramento do anime é a minha razão maior de ter procurado outras bandas nipônicas no mundo da web. O nome da música é "Tactics", tocada por uma das bandas que perdura no meu repertório: The Yellow Monkey. Esse grupo, na realidade, não existe mais. O que restou dele foi a carreira solo do vocalista, Yoshii 'Lovinson' ou Yoshii Kazuya (que também aprecio). A música da qual tanto gostei me apresentou a um nicho que eu ingenuamente julgava inexistente: o "Japanese rock". Ele não só existe como é variado, cheio de influências e, ao mesmo tempo, original.
E foi por culpa desse mesmo anime que acabei gostando de outros artistas como JUDY & MARY (eu também achava que era uma dupla, mas é uma banda de rock psicodélico com uma vocalista de voz estridente), Kawamoto Makoto (outra cantora de voz aguda e estilo psicodélico, embora mais pra folk) e Bonnie Pink (uma das artistas de que mais gosto, pela variedade de estilos).

Na época de Samurai X eu também assistia a outros animes do mesmo canal, como Gundam Wing (que me fez gostar, por uma longa fase, de TWO-MIX), Inuyasha (que me apresentou ao excelente Do As Infinity) e Yuu Yuu Hakusho (com as músicas do Takahashi Hiro e da Mawatari Matsuko). Depois disso, a Internet discada disse adeus e, com essa maravilha que é hoje, conheci outros animes, agora sempre na língua original (Full Metal Alchemist, Naruto, Bleach, Nana, Ouran, Fruits Basket, Evangelion, entre outros mil).

Então hoje, sempre que observo os idiotakus ridicularizarem alguém por gostar de "músicas de desenhos", lembro da minha fase de Asian Kung-Fu Generation (que não deixa de ser uma banda boa, embora eu tenha enjoado de tanto ouvi-los) e sorrio, pois foi assim que me tornei fã de J-music e conheci até algumas bandas que nem os próprios japoneses conhecem.:D


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Aliás, faz um tempinho que não assisto a nenhum anime, dorama ou o que seja. Fora Cosmos (que série maravilhosa!), do Carl Sagan, e Desperate Housewives, que também estou dando um tempo, estou me concentrando nos filmes e livros. E música, claro.

Andei atualizando minha lista de filmes com "Les Chansons D'Amour", que confesso que só baixei por culpa do Louis Garrel. O filme em si, achei fraco; embora a música seja ótima.:D

Também vi, finalmente, Nana e Nana 2. A Mika Nakashima está quase perfeita como a Oosaki Nana (na minha humilde opinião, só faltou um pouco mais de humor). E como é magra essa mulher (tá certo que eu sou gordinha pra fazer uma comparação, mas a magreza da Mika continua espantosa)!
Claro que não dá pra ser fiel ao mangá e à série animada, mas achei que algumas coisas poderiam ser melhores: nenhum dos "Rens" me convenceu muito (não por falta de semelhança, simplesmente pelas atitudes); o Shin do Kanata Hongo foi mais convincente que o do Kenichi Matsuyama, mas ambos estavam quietos demais; de longe, o que mais me incomodou foi a Yuna Ito. Nada contra a cantora, o problema é que a Reira original não fica falando em inglês o tempo inteiro e... o TRAPNEST é pra ser uma banda de rock! As músicas da Mika (embora não sejam mais rock do que aquelas que ela fez como MICA 3 CHU) ainda convencem, mas as da Yuna são pop e pop descaradamente pop!xD
Das "Hachis" não tenho reclamações. As duas atrizes trabalharam bem.
Ah, só para registrar: o Takumi (Tamayama Tetsuji) é perfeito. E tenho dito.

Takumi -> Tamayama Tetsuji


Também vi nessas férias "Gone with the Wind" (E o Vento Levou), "The Sound of Music" (A Noviça Rebelde), "Nuovo Cinema Paradiso" (Cinema Paradiso) e "Charade" (Charada), para atualizar minha lista de filmes clássicos já vistos...:D
Adorei o da Julie Andrews; não gostei muito do primeiro citado; e, em comparação com o "Charade", prefiro o remake (nunca diga isso em uma sala de cinéfilos!) com a Thandie Newton, o Mark Wahlberg e o Tim Robbins, "The Truth About Charlie" (O Segredo de Charlie). Embora as atuações do Cary Grant e da Audrey sejam impagáveis!:D
E "Nuovo Cinema Paradiso" vale cada segundo!:)

Revi pela TV "Hook" (Hook - A Volta do Capitão Gancho) e amei de novo - contrariando a crítica - ; pelo computador, "Pocahontas" (da Disney), uma das minhas animações preferidas, e "Dogma", que continua engraçadíssimo pra mim.:D

Domingo passado vi "Silent Hill" (Terror em Silent Hill), mas confesso que entre repentinas "zapeadas" e desvio de olhares. Filmes de terror ainda não são o meu forte - o problema é que a curiosidade às vezes é mais forte...:P
E ontem vi "Mimi wo Sumaseba" (Se Você Ouvir com Atenção - tradução, acho que não saiu aqui no Brasil...). Muito, muito, muuuuuuuuuuito fofo!*.*
Studio Ghibli sempre se superando! Se eu já tinha gostado da Chihiro, da Kiki, do Totoro e do Howl, esse só fez com que eu me apaixonasse mais ainda pelos trabalhos do estúdio. E, sim, eu assisto a filmes infantis ainda...:D

Também assisti a "Chariots of the Gods" (Eram os Deuses Astronautas?) sem legendas (não que precise muito) e achei as teorias bem interessantes. Mas só realmente me interessei por esse filme depois que a minha mãe o citou enquanto assistíamos ao "Indiana Jones 4"...:D

Ufa! Até que filmes eu vi bastantes...:D

Livros que li a pouco ou estou lendo: "O Cortiço", do Aluísio Azevedo (livro ótimo, já terminei); "A dança do Universo", do Marcelo Gleiser (sobre os mitos de criação, Física e... bom, cosmos); e "Senhor Embaixador" (do meu amado Erico Verissimo).:)

Músicas? Ando fixada na trilha de "Les Chansons D'Amour", na dupla de japonesas fofas do RYTHEM, no novo single da Kaela Kimura, e nos "velhos" álbuns do Yoshii Kazuya (*o vídeo do link é um cover, na verdade; mas o usuário que o fez é talentoso, dá pra ter uma boa idéia da música). :)

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Vou transformar meu antigo blog do projeto de História do colégio em um redutos das letras (de música) romanizadas por mim. Assim, mantenho ele vivo e dou uma amenizada no perigo de perder o meu trabalho.:)


Putz, depois de tanto tempo sem escrever vem isso tudo... :D
Jaa! o/